Economia da Cultura

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Bem-vindo ao site Economia da Cultura! Este é um projeto do Instituto Sociocultural Overmundo, em parceria com o CTS/FGV e com o apoio do Centro Internacional de Pesquisas para o Desenvolvimento – IDRC, órgão de cooperação internacional do governo canadense.

O Economia da Cultura vai analisar as notícias veiculadas em jornais impressos e eletrônicos brasileiros sobre a questão. Aqui também será o espaço para tratar daquilo que acontece de relevante em modelos de negócios abertos no mundo da cultura.

Overmundo
IDRC

Rio de Janeiro, 05 de Setembro de 2010

Helena Aragão

A cara do leitor

05 de maio de 2009

O Brasil precisa juntar muita letra para ser classificado como um país de leitores. A quantidade de analfabetos ainda envergonha - apesar de ter caído de 17,2% em 1992 para 9,9% em 2007, entre pessoas com mais de 15 anos, segundo o IBGE. Mais assustadora é a porcentagem de analfabetos funcionais. Na escala elaborada pelo Instituto Paulo Montenegro, 25% da população entre 15 e 64 anos tem um nível de leitura rudimentar, o que significa na prática conseguir no máximo “identificar o título de uma revista ou, em um anúncio, localizar a data em que se inicia uma campanha de vacinação (…)”.

Mas não são só as estatísticas negativas que apresentam dados significativos. A quantidade de sites, blogs, institutos, ONGs sobre literatura (e que se refere a livros: restauração, tradução, livrarias etc) é impressionante, vide os links de referência disponíveis aqui. Tudo isso traz um resultado prático: há cada vez mais vontade de mudar a afirmação que abre este texto, a partir de redes de informação e de pesquisas que sirvam de munição para quem deseja resolver o problema.

Já é possível dizer que a quantidade de levantamentos sobre o universo da leitura e da produção editorial é crescente no país. Só no site do Sindicato Nacional de Editores de Livros (Snel) os assinantes podem acessar seis pesquisas que contemplam anos e objetivos diferentes: o Relatório Anual 2007, a Pesquisa de Insumos Editoriais de Maio 2008, a Pesquisa Hábito de Leitura da Bienal no Rio de Janeiro (2005), a Viva Leitura (Expectativas para 2005), a Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro (semestral) e a Retrato da Leitura no Brasil. Ainda este ano, será lançada uma dedicada ao tema “O livro no orçamento familiar”, do pesquisador Kaizô Iwakami Beltrão. Tudo isso vem colaborando para a construção de políticas públicas de fomento à leitura no país.

Aumento de vendas

Vamos a alguns números mais recentes: apesar da fama de patinho feio das livrarias, o mercado comemorou um aumento de vendas no ano passado. Em pesquisa da Associação Nacional de Livrarias com seus associados (que representam 67% do setor), constatou-se que as vendas cresceram 10,46% de 2007 para 2008. Tal aumento seria resultado da melhora do poder aquisitivo do brasileiro, mas também das muitas campanhas de estímulo à leitura, sobretudo a infanto-juvenil (segmento que mais cresceu).

Mas afinal, quem é este leitor? A pesquisa Retratos da Leitura no Brasil tentou mapear o comportamento dele. Realizada pela primeira vez em 2001, ela teve sua segunda edição produzida pelo Instituto Pró-Livro apenas em 2008, por iniciativa da CBL, do SNEL e da Abrelivros. O grande intervalo não foi em vão: um dos motivos foi contribuir para o aperfeiçoamento de uma metodologia comum aos países membros do Centro Regional para el Formento del Libro em América Latina e el Caribe (CERLALC), a fim de permitir a comparação com indicadores de outros países. A ideia, daqui para frente, é que ela seja repetida de três em três anos, possibilitando assim a construção de séries históricas.

Os avanços em termos de alcance foram significativos da primeira para a segunda edição da pesquisa. Foram analisados desta vez 311 municípios em todos os estados, contra 44 de 19 unidades da federação, em 2001. De todos os 5.012 entrevistados, 16% foram considerados não-alfabetizados e 48%, classificados como não-leitores (estavam há 3 meses sem tocar num livro). 42% dos pesquisados explicaram ter dificuldade na leitura.

Há números comparativos que são simbólicos: 86% dos não-leitores disseram nunca ter sido presenteados com livro na infância e 63% deles nunca viram os pais lendo. Na outra ponta, 60% dos leitores se habituaram a ver os pais lendo. Para muitos não-leitores, a explicação para o afastamento do livro é o fato de “não estar estudando”, mostrando a forte ligação que a ideia de leitura tem da educação formal. De fato, a escola é crucial para a formação de leitores de vida inteira. Sendo assim, a divisão de livros pela população é extremamente desigual. 49% dos livros estão com 10% da população.

Outra informação que traz suas lições, segundo a professora e consultora da pesquisa Maria Antonieta da Cunha, é o fato de praticamente todos os jovens terem respondido que foram influenciados por alguém para adquirirem o hábito da leitura. “Este dado parece insignificante, mas não é. É simbólico que a influência se dê por meio da palavra, justamente a matéria-prima do livro”, observa ela no relatório da pesquisa.

Números e dados simbólicos como estes têm ajudado a dar forma a novas políticas públicas para o estímulo à leitura. Uma das mais recentes, por exemplo, dedica-se ao leitor adulto recém-alfabetizado. As taxas de analfabetismo entre pessoas com mais de 15 anos caiu vertiginosamente nos últimos anos, mas havia pouca oferta de livros simples, mas com conteúdo adulto. Por isso, desde 2006 o Governo Federal vem realizando o Concurso Literatura para Todos, que seleciona obras de ficção e não-ficção destinadas a este público.

Com a equação pesquisas + políticas públicas, é possível virar o jogo para as próximas gerações de leitores.

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