Bem-vindo ao site Economia da Cultura! Este é um projeto do Instituto Sociocultural Overmundo, em parceria com o CTS/FGV e com o apoio do Centro Internacional de Pesquisas para o Desenvolvimento – IDRC, órgão de cooperação internacional do governo canadense.
O Economia da Cultura vai analisar as notícias veiculadas em jornais impressos e eletrônicos brasileiros sobre a questão. Aqui também será o espaço para tratar daquilo que acontece de relevante em modelos de negócios abertos no mundo da cultura.

Rio de Janeiro, 06 de Fevereiro de 2012
Pedro Mizukami
Peter Sunde, um dos quatro réus do Spectrial, infame julgamento do tracker de torrents Pirate Bay, vazou, via Twitter, que a decisão de primeira instância havia condenado o grupo ao pagamento de salgados 3.6 milhões de dólares e um ano de prisão. O processo, concomitantemente civil e criminal (o smörgåsbord processual sueco é fascinante), entra agora em fase recursal. Avaliando friamente, como bem observa a Billboard, o resultado final será irrelevante em termos práticos. O Pirate Bay vai continuar existindo, trackers de torrents vão continuar se multiplicando, e a pirataria vai continuar de vento em popa na costa da Somália.
O que há de mais notável em relação a esse caso não é a aparente derrota judicial do Pirate Bay (é uma “pequena vitória”, na análise da Economist), mas a extrema habilidade com que os membros do Pirate Bay conseguiram conduzir a repercussão midiática do caso, em contraste à forma desastrosa com que a indústria do entretenimento tem se comportado nos veículos que supostamente teria de saber dominar. Enquanto o presidente da associação de produtores independentes de música da Suécia afirma que o Pirate Bay representa um ultrapassado modelo de negócios (!!!), a ser soterrado por serviços de streaming de música como o Spotify (tente fazê-lo funcionar do Brasil - e depois faça o mesmo teste com o Pirate Bay), Peter Sunde destaca como é curioso que nos dias de hoje até decisões judiciais vazam antes da data de publicação, o desfecho do julgamento em primeira instância gera protestos na Suécia, e o Partido Pirata sueco recebe um dramático impulso em número de associados. Na página de abertura da Pirate Bay, o recado: “Não se preocupem - somos das internets. Tudo vai ficar bem :-)”.
Mesmo que não fique, é importante observar que a tal das internets é vastíssima, e que a importância do Pirate Bay é muito mais simbólica do que como um tracker de torrents eficiente. E é do tipo de símbolo que se fortalece apenas na medida em que é atacado. Se a derrota judicial em primeira instância é excelente para a indústria em termos de marketing imediato, a longo prazo apenas contribui para aumentar o poder da marca Pirate Bay, e tudo o que ela representa. É mais ou menos como o Ricky de História de Ricky: quanto mais apanha, mais imbatível fica.