Bem-vindo ao site Economia da Cultura! Este é um projeto do Instituto Sociocultural Overmundo, em parceria com o CTS/FGV e com o apoio do Centro Internacional de Pesquisas para o Desenvolvimento – IDRC, órgão de cooperação internacional do governo canadense.
O Economia da Cultura vai analisar as notícias veiculadas em jornais impressos e eletrônicos brasileiros sobre a questão. Aqui também será o espaço para tratar daquilo que acontece de relevante em modelos de negócios abertos no mundo da cultura.

Rio de Janeiro, 05 de Setembro de 2010
Oona Castro
Participei de um debate bastante interessante na Universidade Veiga de Almeida, produzida pela Rede Rio Música, sobre novos modelos musicais. Uma moça da platéia perguntou a um dos debatedores, cujo negócio é distribuir música por celular, por que os fonogramas oferecidos por esse meio eram tão caros. Ele explicou: 50% pras operadoras; 30% em impostos; e os 20% restantes ficam para a distribuidora, a gravadora e a editora (e, finalmente, nesse bolo, o artista).
Segundo ele, o serviço ainda é muito caro para as operadoras - que oferecem banda e marketing. Dois reais por fonograma para elas.
Estamos preparados para entender as telefônicas/operadoras como os novos grandes agentes desse mercado? O que muda com o novo modelo? Quem paga essa conta?
Tudo indica que o futuro incluirá assinatura fixa de pacotes que darão direito a baixar X músicas (ou X MB ou GB). Como as operadoras vão administrar esses pacotes? Eu gostaria muuuuuito de conhecer o planejamento estratégico dessas empresas, bem como a distribuição de custos e investimentos desse negócio que anda crescendo.
Existem vantagens na distribuição de música por celular: a possibilidade de baixar aqui e agora (no ônibus, no meio do show, na sala de embarque, em qualquer lugar), a fácil e automática portabilidade e a falta de acesso a outros canais (navegando na internet, a tendência é buscar de graça - e achar).
O modelo de distirbuição digital pode ajudar a resolver outros gargalos complicados. Um primo meu me contou: “estou pirateando o disco da minha mulher”. Ela é cantora, gravou um disco anos atrás, e não há mais no mercado - não reeditam, não vendem, não nada. Como ela continua fazendo shows e o público quer comprar, o jeito é mesmo copiar. Ora, álbum fora de circulação, anuência da artista, não tem razão pra não recolocar no mercado.
Não sendo popular, famosa, nem adianta que nunca veremos no camelô. Então, pra vender além dos shows, ou ele oferece pra banquinha, ou leva para um distribuidor digital. Custo baixo, acesso razoavelmente amplo (dentro dos limites da oferta de banda larga no país) e fonogramas do gosto de nichos de mercado. Todo mundo ganha.
Por exemplo, mais um casinho: eu a-do-ro o cd do Naná Vasconcelos com Itamar Assumpção (em que eles cantam “Leonor”, do Itamar).
“Devagar com esse andor, Leonor
Casamento é muito caro
Sou compositor, cantor, também sou autor
Falo mais de flor que dor, Leonor
Mas não sou Roberto Carlos”
Meu pai também. E então foi atrás - loja por loja. Grande, pequena. De sucessos, independente. O CD não está mais à venda. Acabou. Mas descobri que a Tratore distribuía digitalmente o disco todo - por cerca de R$ 7 reais. Meu pai comprou. E se não tivesse? Blaublau levar algum trocado - ou fazer o público feliz. Assim, é quase como fazer uma doação por um CD IN-CRÌ-VEL que eles fizeram.
E o CD do Paulinho da Viola que não se reedita? “Eu Canto Samba”, de 1989, pela RCA. O meu ficou dentro do aparelho de som que tentaram roubar do fusca verde, em Santo Amaro, São Paulo, uns cinco anos atrás. Já rodei. Até na melhor loja de discos raros que conheço, em BH, na rua Tupis (não me lembro o nome e, como podem ver, estou evitando dar toooodos os nomes aos bois, pra não ficar muito comercial esse post, nem expôr ninguém). A resposta: está fora de circulação. Do que precisa? Abaixo-assinado? Só me faltava agora petition online para deixar o disco à venda! O que leva alguém/alguma empresa a fazer isso? Eu quero comprar, quero pagar, mas não me deixam.
É. Não tentem me associar com o crime, tráfico de drogas, máfia, má fé. Mas… como é que a gente faz? A idéia é mesmo deixar cair no esquecimento? Decretaram a morte da obra, da arte, do prazer de ouvir. Alguém pode me fazer feliz reanimando o falecido?
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